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Durante a Primavera, raramente são referidos casos de intoxicação por ingestão de cogumelos silvestres. A diversidade de espécies e a produção são, de uma forma geral, menores do que no Outono, o que alivia em grande parte os riscos e os acidentes desta natureza.
No entanto, há algumas áreas mais quentes do país onde prevalecem povoamentos de azinheira e sobreiro, em que o consumo de cogumelos se baseia ou é exclusivo de uma espécie de desenvolvimento primaveril — Amanita ponderosa, vulgarmente conhecida, entre muitas outras designações, por tortulho, silarca, tubareiro e regota.
O ano de 2013 teve condições climáticas muito favoráveis para a produção não só da Amanita ponderosa, mas também de outras espécies semelhantes, habitualmente menos frequentes, ficando os coletores mais sujeitos a apanhar, de forma descuidada, espécies não comestíveis.
Nesta Primavera deram-nos conta da ocorrência de dois casos de intoxicação no distrito de Castelo Branco, pelo que a proximidade dos acontecimentos permitiu o contacto pessoal com os coletores e com os consumidores que tiveram problemas de saúde com a ingestão dos cogumelos.
As descrições feitas pelos intervenientes, algumas pormenorizadas e ainda bem presentes na memória, conduziram à identificação da espécie responsável pelas intoxicações — Amanita boudieri — sobre a qual, tendo por base uma relação de comparação com a morfologia da Amanita ponderosa, espécie que supostamente estaria a ser apanhada, se referem as características mais salientes:
Os cogumelos tóxicos, no geral, eram de menor dimensão;
Surgiam sob montículos de terra mais pequenos;
Eram mais moles e frequentemente apresentavam larvas;
Eram completamente brancos e a cor branca da carne permanecia imutável ao corte;
Na fase de “ovo”, o pé e o chapéu já eram visíveis;
O pé, sem a volva em forma de saco, característica da Amanita ponderosa, apresentava uma base escura, em forma de cabeça de nabo, envolta em terra aderente.
Contrariamente ao que até agora era admitido, a Amanita boudieri, espécie de cor branca que partilha o mesmo habitat da Amanita ponderosa, revelou-se ser a principal responsável pelas intoxicações que ocorrem na Primavera.
Assim, alerta-se para o facto de a Amanita boudieri, apesar de ser considerada comestível (constando nos manuais desde excelente comestível até sem valor culinário ou comestível medíocre), possuir toxina ou toxinas que atacam com gravidade o organismo humano, em particular o fígado e os rins, não devendo por isso ser consumida.
Publicado por: Freguesia de São Bernardo
Publicado em: 09-05-2017